A aparência pode colocar em xeque a competência de um profissional

Por Pamella C. Andrade

Como uma aparencia jovem pode afetar a carreira e colocar em xeque a competencia de um profissional.

“Começo essa história com uma frase que sempre fez muito sentido na minha vida!”

“Não sabendo que era impossível, foi lá e fez!”
Jean Cocteau

Afinal, realizar sonhos não é fácil! É preciso muita dedicação, vontade, perseverança e muita coragem.

Tudo começou com uma criança que até aos 3 anos de idade não conseguia falar …

Minha mãe teve rubéola durante as primeiras semanas de gravidez e foi aconselhada pelo médico, fazer uma curetagem, mas ela rejeitou e decidiu seguir com a gravidez apesar de saber que seria um risco porque eu poderia nascer com sequelas. Minha mãe teve um parto pré maturo e muito complicado, eu nasci faltando dias para completar 8 meses de gestação.

Foi tudo normal, nasci perfeita, mas a preocupação da minha mãe, era se o fato de eu não estar falando com quase 3 anos de idade era normal ou uma sequela. Então, o meu pai me levou num neurologista que, mesmo sem exames comprovatórios de anormalidade, prescreveu um medicamento destinado à prevenção do aparecimento de convulsões em indivíduos com epilepsia (doença do sistema nervoso central que causa convulsões ou ausências do paciente) ou crises convulsivas de outras origens.

Ainda bem que a minha mãe dizia para meu pai que tinha ministrado o medicamento, mas jogava fora! O sexto sentido de minha mãe dizia que eu não tinha nenhuma anormalidade!

A minha mãe conta que quando as pessoas perguntavam: Pamella, o que você quer ser quando crescer?

E eu, na minha língua enrolada, respondia que queria ser ” MÉXICA”.

Eu passei minha infância nos hospitais com meu pai que também é médico de centro cirúrgico e não foi diferente na minha adolescência, indo para o bloco cirúrgico com meu pai, ouvindo o som dos monitores, o cheiro forte do éter. Tudo aquilo era bastante familiar e prazeroso para mim. Eu amava estar naquele ambiente. Eu aprendi a suturar muito bem e com 15 anos eu fazia igual ou até melhor que meu pai.

Eu fiz o curso técnico de auxiliar de enfermagem e fui assistente do meu pai por algum tempo o que fez com que eu adquirisse uma grande experiencia.

Até que chegou o grande momento…prestar o vestibular! Pensem numa tortura! Aquilo é uma verdadeira uma tortura psicológica.

O desejo de realizar um grande sonho atrelado a um concurso dificílimo, o grande número de concorrentes, competição por vezes desleal, com alunos que se preparavam em cursos específicos e escolas renomadas era muito distante da realidade.

E na minha primeira tentativa, veio a primeira decepção: ”não aprovada”.

Eu estudei tanto virando dias e noites trancada no quarto sem sair, sem me divertir, focada nos estudos durante meses me preparando e tudo aquilo parecia não ter valido absolutamente nada. Uma frustração gigantesca, enquanto meu irmão passava em todos os vestibulares e sem estudar nada!

Embora ainda houvesse muitas outras oportunidades de cursos e novas tentativas, o desejo de adiar o sonho acabou levando ao segundo grande desafio: Ingressar numa faculdade fora do país! Quantos processos! Quantas etapas! Quantos desafios!

“Por vezes precisamos mudar a estratégia para preservar o sonho.”

“Tudo valia a pena! Seria incrível e foi! Só não foi fácil …

Mas aos sonhos não importa o preço!”

Após alguns anos, a transferência para o Brasil foi outra etapa árdua, associada a perda de 1 ano de estudo. E mesmo assim eu encarei e fui para frente em busca dos meus objetivos.

No segundo semestre de 2009, finalmente a formatura, após anos de abdicação e perseverança.

A partir daí, viria uma nova etapa… a residência em cirurgia geral! Ouvia da minha mãe: Pamella, faça dermatologia minha filha. O meu pai: Pamella minha filha, cirurgia é uma especialidade muito pesada para uma mulher. Porque não escolher algo mais leve?

Mas eu insisti naquele objetivo porque era a cirurgia geral que eu queria.

E para cumprir esta tarefa foi necessário grande transformação: mudar de cidade outra vez, iniciar um novo trabalho em um lugar totalmente desconhecido, enfrentando preconceito e a discriminação.

Eu não costumada usar um jaleco usando Dra. Pamella porque Dra. Não é um nome e sim um título, então como não tinha titulo bordado no meu jaleco, ficava incógnito a minha graduação e as pessoas nunca sabiam se eu era a médica, a assistente, a enfermeira ou a atendente. Depois eu compreendi que isso era necessário para identificação e passei a usar o título na frente do nome, o que eu penso não ser tão importante quanto a competência.

Essas pessoas não tinham ideia do quanto eu estava preparada e o quando de experiencia eu tinha adquirido para estar ali! E eu operava sim! E enquanto cirurgiões com 30 anos de experiencia precisavam de 3 a 4 horas para uma cirurgia, eu fazia em 2 – 2 e meia e com suturas que, após 30 dias, não tinha nem sinais na pele do paciente.

Também perdi alguns pacientes, acidentados graves e por mais que eu tivesse tentado e usado todo meu conhecimento, experiencia e técnica, era a hora do chamado de Deus para eles e eu não podia reverter. Essa é a parte frustrante na carreira de um cirurgião.

Os anos se passaram e voltar para o Rio de Janeiro como cirurgiã foi uma nova etapa. Era um prazer e orgulho imenso, trabalhar com os meus ex professores da faculdade, dividir plantões com grandes nomes da cirurgia geral, e uma satisfação enorme ter o meu nome na placa da porta do Pronto Atendimento – Cirurgiã de Plantão: Dra. Pamella C. Andrade.

Um novo sonho, um novo desafio! Parecia impossível voltar a prestar exames para uma nova residência oito anos depois de ter finalizado outra! Parecia impossível passar em uma seleção que está entre as 3 mais difíceis na medicina, tendo que largar tudo que eu havia construído e recomeçar, mudar de cidade novamente, iniciar novos trabalhos, e voltar a ser estudante, e desta vez, estudando e trabalhando ao mesmo tempo na cirurgia geral.

A prova para o titulo de Cirurgiã Plástica para ser Membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica foi o pior dos piores períodos. Trabalhando, plantões, estudos, viagens, congressos, seminários, virando dias e noites sem cessar.

Aquele copinho de café com Coca-Cola para me manter acordada durante os estudos, vitaminas, e vamos que vamos porque o mundo está aí para ser conquistado.

E graças aos meus estudos e minhas experiencias desde criança em centros cirúrgicos, me ajudou muito na prova prática a qual eu tirei a nota máxima e fui muito elogiada pela equipe de avaliadores.

E então, após 13 anos na cirurgia geral, muita ralação, anos de trabalho, estudos, e muita perseverança, consegui chegar à cirurgia plástica onde tem realizado sonhos e ajudado muitos pacientes recuperar suas auto estimas.

Esses anos nos centros cirúrgicos, vendo in loco a necessidade de profissionais qualificados, levou-me a melhorar a qualidade dos serviços e gerar oportunidade de trabalho. Montei um curso de instrumentação cirurgica para profissionais da área.

Dra. Pamella Costa Andrade

Membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica CRM 18619 RQE 13076

Cirurgia Plástica, Estética e Reparadora

Cosmiatria

Cirurgia Geral

Vitória – Espírito Santo – Brasil

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