Romeu e Julieta – Feliz dia dos namorados!

Há certas obras que são reconhecidas por todos. Sem medo de errar coloco no topo da lista Romeu e Julieta.

Há certas obras que são reconhecidas por todos, mesmo por aqueles que não tiveram um contato direto com elas. Sem medo de errar coloco no topo da lista Romeu e Julieta, do dramaturgo Inglês William Shakespeare, que foi adaptada inúmeras vezes para o teatro e cinema.  Do que se trata a história? Sem dúvida vamos ouvir um retumbante coro: Uma história de amor.

Na verdade, trata-se de uma tragédia, cuja narrativa não era inédita, mas Shakespeare a aprimorou com contornos e matizes que até hoje ninguém superou. Foi ambientada por volta de 1500, em Verona, região do Vêneto, nordeste da Itália, onde, em um baile de máscaras, dois jovens são despertados para uma paixão instantânea e arrebatadora. Mas, ao se conhecerem, descobrem que integram famílias rivais. Ela, filha única dos Capuleto. Ele, um Montecchio. Auxiliada pelo frade franciscano Lourenço, que elabora um plano que parecia infalível, Julieta toma uma poção que a deixa catatônica, como se morta estivesse e, assim, a salva do casamento com Páris, a quem havia sido prometida por seu pai.

Mas… sempre tem um mas! A carta do frei explicando o plano nunca chega às mãos de Romeu, que diante do corpo imóvel da amada, pensando estar morta, se desespera e toma veneno, não sem antes matar Páris. Uma vez acordada, Julieta, ante o corpo do amado, entendendo o ocorrido, reclama que este não lhe deixara sequer uma gota da maldita poção, sendo em vão buscá-la em seu lábio. Jovem, mas corajosa e destemida, não vê outra solução, senão tomar a adaga de Romeu e cravá-la em seu peito.

Nas festas dos Capuletos e Montecchios com certeza tinha Recioto, que é um vinho doce produzido há séculos na região de Verona. Existindo registro deste desde o século IV D.C., feito por Cassiodoro, ministro de Teodorico, rei dos visigodos.  O Recioto evolui para o Amarone, que não é doce.

Plantada em solo vulcânico, nas encostas das colinas de Valpolicella, nas imediações de Verona, onde recebe a máxima insolação possível, a casta Corvina é a rainha dos vinhos Amarone, que pode receber no blend, em menor quantidade, suas parceiras Rondinella e Molinara.

Esse vinho, que recebe o nome de Amarone della Valpolicella, tem algo em especial na sua produção: o apassiamento (passito). As uvas são colhidas e colocadas em esteiras para secar em galpões bem ventilados, onde permanecem por até quatro meses e perdem de 30 a 40 % da água. As uvas viram quase passas. Este processo concentra os açúcares, a acidez e os sabores. Mas o rendimento cai drasticamente, o que eleva o custo. Estas uvas, concentradas de açúcar, ao serem submetidas à fermentação, podem gerar vinhos doces ou secos, dependendo se as leveduras consumirem, ou não, todo o açúcar. Ocorrendo a fermentação parcial, teremos um vinho doce, o já referido e ancestral Recioto. Mas, se a fermentação for próxima à total, teremos um vinho seco ou quase, o nosso Amarone. Daí vem o seu nome, comparado com o Recioto, ele parece mais amargo. Amargo, amaro, Amarone. Amore e Amarone até possuem raízes próximas.

Em virtude da alta carga de açúcar das uvas, um Amarone della Valpolicella tem alto teor alcóolico, chegando facilmente a 15% do volume. É encorpado! Seus taninos são trabalhados pelo produtor de maneira a se apresentarem macios e aveludados. São facilmente encontrados aromas e sabores concentrados de frutas vermelhas e especiarias, além de uma boa acidez, sendo indicado para acompanhar carnes. 

E o Romeu? Bem, Romeu era um apaixonado e poderia, diante da pretensa morte da amada, ter lançado mão de uma taça de vinho para clarear as ideias ou chorar a amarga desventura. Quem sabe, de taça em taça, adormeceria para, horas depois, nos braços de Julieta, que já teria despertado, também acordar, ouvindo: Romeu! No que, extasiado, responderia: Julieta!

Um brinde ao amor! Se for com Amarone della Valpolicella, será apaixonante.

MAURÍCIO FERREIRA: APAIXONADO POR VINHOS
Por Mauricio Azevedo Ferreira – Promotor de Justiça aposentado que transformou uma paixão em atividade, dedicando-se ao ensino sobre vinhos. É responsável pelo conteúdo da página no Facebook, do perfil no Instagram e do canal do YouTube Apaixonado por Vinhos, além de ministrar cursos. Certificado pela WSET — Wine & Spirit Education Trust, nível 3, e FWS — French Wine Scholar.

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