CONTATO

Fazenda Farinheira – Produtora do café das montanhas de Minas Gerais – certificação de qualidade Starbucks

O café do Portal Conto Encontro

Por Chris Barbato e Flaviano Vieira Lima

A hospitalidade dos mineiros, as riquezas históricas, as belezas naturais, as comidas típicas, o famoso pão de queijo e os cafés de Minas Gerais, estão chamando cada vez mais, a atenção internacional, sobretudo para o turismo nas fazendas de café do Brasil.

Um percurso de muitos quilômetros compõe as Rotas dos Cafés no Brasil e proporciona aos turistas uma experiência única em fazendas centenárias, assim como nas rotas do café das matas e das montanhas de Minas, onde está a fazenda Farinheira, tendo os turistas, a possibilidade de visitar uma série de propriedades, e conhecer de perto, as histórias das fazendas e do ciclo do café no Brasil.

A Fazenda Farinheira, produtora e parceira do café Da Fazenda – o café do Portal Café Conto Encontro, que além de ser uma grande exportadora de cafés especiais, acompanha a evolução, abrindo novos nichos de mercado, criando um polo turístico na fazenda, e em breve, estaremos levando grupos para visitação, onde os turistas poderão visitar as plantações, acompanhar a colheita, a secagem, provar os cafés, participar dos cursos, e todo o processo que envolve o processo café – Projeto a vida na fazenda! Uma experiência única de estar em contato com a natureza.

Vamos contar então, um pouco da história, escrita em quatro mãos, desse mineiro, fazendeiro, apaixonado por café, “parceirão” – grande parceiro do Portal Café Conto Encontro.

Esse vídeo foi gravado na parte de trás da sede da fazenda, nos fundos do pomar onde eu eu estive colhendo jabuticabas e visitando a plantação de peras junto com o Flaviano e a Estela no ano passado. Essa pequena lavoura que ele mostra no vídeo é apenas uma pequena plantação nos fundos do pomar da fazenda. Vocês não podem imaginar o tamanho dessa lavoura que atravessa montanhas e morros afora repletos de pés cafés.

Mineiro de palavra, pessoa integra, daquele tipo que não precisa assinar nenhum papel porque sua palavra é sua honra, pessoa simples, da terra, que não se sente nenhum pouco intimidado quando o assunto é pegar na enxada junto com seus colaboradores e plantar uma muda de café ou abrir passagem para as águas dos córregos e riachos que passam pelas suas fazendas, correndo pelas plantações, provando a fruta madura ainda no pé para avaliar o teor de açúcar e acidez, e como recompensa pelo árduo trabalho, colher um dos cafés mais famosos e saborosos das matas e das montanhas de Minas Gerais! 

É incrível como Flaviano percorre as lavouras e fiscaliza as plantas, prova cada fruto do seu cafezal. É um carinho, um amor pela terra, e um dom nato.

Quando estive na fazenda, via pés de café em toda parte até no jardim e via Flaviano abraçar as pequenas árvores com tanto amor, sempre acompanhado pela esposa que também é uma fazendeira, mulher de fibra, e uma parceira admirável. Existe uma grande mulher por trás desse grande homem!

Neto e filho de cafeicultores, apaixonado pelo ecossistema café, Flaviano, fazendeiro, cafeicultor de Minas Gerais nascido na antiga fazenda Farinheira onde a história começou com seu avô em 1931, o qual assumiu a administração da fazenda de seu pai e irmãos com apenas 15 anos de idade, num período em que o governo estava implantando o programa queima de estoques de café (de 1931 a 1962). 

Um verdadeiro desastre! 70 milhões de sacas de café foram queimadas no país, quantidade suficiente para garantir o consumo mundial do produto durante três anos.

O objetivo era reduzir a oferta e assim, conter a queda dos preços internacionais do produto, o que equilibraria nossa economia e impediria a falência dos cafeicultores.

O Brasil produzia por ano, café suficiente, para abastecer todo o mercado mundial. Para manter a economia cafeeira, nos anos de 1920, os estados produtores — principalmente São Paulo — faziam empréstimos externos e os repassavam aos cafeicultores. Mas isso só adiou o problema, pois a produção não parou de crescer, assim como as dívidas dos fazendeiros.

Uma gigantesca fogueira, iniciada em junho de 1931, durante as festas juninas, continuou ardendo na Baixada Santista até o final do ano, destruindo milhares de sacas de café e espalhando no ar de toda a região o característico e intenso aroma do café torrado.

Na época, os compositores Noel Rosa e Braguinha não perderam a oportunidade de satirizar o governo federal, que tentava transmitir otimismo com o lema “É melhor apertar agora para que a fartura venha depois”. No “Samba da Boa Vontade”, eles cantavam:

“Comparo o meu Brasil
A uma criança perdulária
Que anda sem vintém
Mas tem a mãe que é milionária
E que jurou, batendo pé,
Que iremos à Europa
Num aterro de café
Nisto eu sempre tive fé”

Bem, nessa época, seu avô, que era um visionário, andou na contramão, imaginando que faltaria café, e então, iniciou um plantio de café com mudas retiradas das matas e também mudas formadas no sistema de gavetas. 

Vejam que riqueza é o solo brasileiro! As mudas de café foram retiradas das matas! Eram nativas!

E dando continuidade à história, em 1938, o avô de Flaviano construiu um terreiro e uma tulha para secar e armazenar os cafés, acreditando que iria faltar café após as queimas dos estoques. Esses terreiros são conservados até hoje pelo Flaviano.

Os estoques de cafés daquela época não baixaram, e o governo, mais uma vez, criou outro projeto: erradicação das lavouras no Brasil, que foi de 1962 a 1967. 

Desestimulado, seu avô parou de produzir café, mudando de seguimento, construindo uma fábrica de farinha de milho, a qual se tornou muito conhecida na região. Daí o nome Fazenda Farinheira.

Em 1978 o avô de Flaviano, incentivado pelo IBC – Instituto Brasileiro do Café, retomou os plantios de café e desta vez, o pai do Flaviano, assumiu a administração das lavouras e Flaviano com 10 anos, já gostava de andar pelos cafezais.

“Caminhar por cafezais desperta o sentimento de pertencimento, de envolvimento com o processo produtivo como um todo. Faz com que o turista tenha mais consciência na hora de consumir o café. Como consequência, ele valoriza mais o grão e propaga a cultura. 
Tudo se liga, se encaixa e transforma para melhorar a vida das pessoas.”

Ele conta, que as recordações de criança, estão muito vivas em sua memória na colheita, quando os cafés eram derrubados no chão e depois colocados em um “rêgo dágua” para tirar a terra onde os cafés boiavam e eram recolhidos. 

Mais tarde, seu pai e seu avô construiram um lavador –“lavador maravilha”, como era chamado, para facilitar o trabalho e melhorar a qualidade do café.  Em 1979, eles montaram uma máquina de limpar café e um secador baú Dàndrea, o quê, na época, era uma grande evolução.

Em 1992, com 23 anos, o jovem fazendeiro retornou de Juiz de Fora, onde foi estudar e voltou novamente ao café,  acompanhando todas as etapas, desde o plantio até a comercialização. Flaviano buscou especialização através de diversos cursos envolvendo café. Nessa época, seu tio comercializava os cafés e Flaviano acompanhava.

“Ele me ensinou muito.”

Em 1994, Flaviano fez um contrato de arrendamento com o avô, buscou orientação da EMATER – Instituto de Assistência Técnica e Extensão Rural, para plantio dessa área, e seguindo todas as orientações e etapas, plantou sua primeira lavoura de café, mas depois de tanto trabalho, no momento de vender o café, o preço baixou, o que fez  Flaviano ficar desapontado e desanimado assim como aconteceu com seu avô.

“Após tanto trabalho e no momento de colher os louros. Foi frustrante.”

Porém, Flaviano foi mais persistente, esperto e confiante do que seu avô, plantando uma nova lavoura de café em 1998 e não parou mais de investir nessa planta apaixonante. 

“Fui atrás de aprender sobre essa “tal bebida de café” e através do SENAR – Serviço Nacional de Aprendizado Rural,  fiz varios cursos de degustação, classificação e provas de cafés. E não parei mais.”

Flaviano foi presidente de uma Associação e de uma Cooperativa de Cafeicultores, Diretor da empresa Acess – Associação de Cafes Especiais – Serra da Seritinga, sócio da empresa Coffee Effect, provador, classificador e degustador de café credenciado pelo IMA, Instituto Mineiro de Agropecuária, gerente de produção agropecuária – Fazenda do Bento, participou de uma das etapas da criação do concurso de qualidade de café da agricultura familiar, descobrindo também, grandes potenciais de cafés na região e encorajando os produtores a se especializarem mais e mais no ramo.

“Sou provador, classificador de café e até o momento e continuo aprendendo.”

Hoje, ele produz cafés especiais, é respeitadíssimo na região, com varias variedades de cafés plantadas. A  fazenda é certificada pela Starbucks, C.A.F.E. Practices, outorgado em 2020, estando a fazenda, comprometida para reforçar, de maneira contínua, o controle da sustentabilidade, tendo parte de suas lavouras sombreadas por Ypês amarelos assim como ele conta no video.

O café da Fazenda Farinheira está acima de 1300 metros de altitude. São cafés que ganham concursos e que, na pontuação da BSCAAssociação Brasileira de Cafés Especiais, está acima de 85 pontos.

Toda a colheita deste café é feita manualmente, ainda porque, não tem como subir com máquinas em montanhas.

Atualmente, Flaviano começou a implantar as Áreas sintrópicas em suas fazendas que, além de ser um método avançado de agrofloresta que garante uma boa produção, também em áreas degradadas; tem como objetivo, produzir cafés sem  uso de defensivos químicos ou agrotóxicos, coerente com os princípios da produção orgânica. 

O trabalho de recuperação de áreas degradadas que Flaviano vem fazendo, é magnífico assim como o trabalho social, gerando empregos durante todo o ano e garantindo o sustento das famílias das comunidades vizinhas.

Áreas degradadas: Áreas que tiveram suas características originais alteradas tanto pela intervenção humana quanto por ações da própria natureza, como incêndios e inundações, estando além do limite de recuperação natural, necessitando de intervenção humana para sua recuperação cujo objetivo, é fazer com que essas áreas que eram férteisl e produtivas voltem o mais próximo possível do que era antes para a estabilidade no meio ambiente.

Os benefícios da recuperação de áreas degradadas são muitos, não apenas a redução das emissões de gases de efeito estufa. Este processo é  benéfico para o proprietário da terra, porque com a reabilitação, o solo aumenta sua fertilidade e volta a ser produtivo, aumentando a capacidade produtiva da terra, gerando renda na pecuária e redução dos custos de produção.

Ele conta com o suporte da sua esposa Estela Mara, também produtora e torrefadora de café. Um casal incrível de fazendeiros, empresários, que juntos se completam, e levam o nosso café,  não apenas para as prateleiras dos mercados e das cafeterias brasileiras, mas para o mercado estrangeiro, sobretudo na Suíça.

A Estela preparou um café da tarde tão maravilhoso para nós quando estivemos na fazenda, qual jamais será esquecido.

Uma mesa maciça de madeira reciclada na fazenda, feita pelo Flaviano e as quitutes mineiras mais deliciosas que você, querido leitor, pode imaginar.

Falando ao telefone com estela ontem, enquanto comentava sobre a reportagem que  uma TV fará na fazenda esta semana, disse:

– Chris, você não pode imaginar os bolos que eu fiz esses dias! Quatro receitas diferentes!

A Estela é super dinâmica, ao mesmo tempo que ela está em sua fazenda, ou em sua torrefação, está escrevendo livros, assessorando seu esposo, decorando os quartos da pousada para receber hóspedes, preparando receitas e haja energia!

“Hoje, estou produtor, torrefador e exportador de café, conectando a planta a você. Como o ouro e a prata, o café é purificado pelo fogo, e assim, levamos o diamante negro à sua xícara, aromatizado com o nosso amor pela terra e pelas mãos abençoadas dos nossos colaboradores.”

Flaviano V. Lima (feliz e saltitante em torno de seus ipês amarelos).

Concluindo esse artigo maravilhoso, que fez nosso querido produtor e parceiro do Portal Café Conto Encontro regressar no tempo, um banho de cultura e conhecimento, só posso agradecer a esses amigos e parceiros, deixando uma receita bastante interessante, enviada carinhosamente pela Estela – Caipirinha de café.

Alguém já provou isso? Então, simbora provar!

CAFÉ CAIPIRINHA
Ingredientes:
• 1 limão
• Açúcar a gosto
• 50 ml de café forte
• 50 ml de cachaça

Modo de Preparo:
Primeiro, macerar o limão com o açúcar. Em seguida, adicionar a dose de cachaça. Colocar o gelo e para finalizar, e acrescentar os 50ml de café. 

Para decorar, use alguns grãos de café.

Fazenda Farinheira:

Click aqui e conheça a Pousada Bistrô Efeito café! A pousada que o Portal Café Conto Encontro recomenda para os seus dias na fazenda! Você viverá dias extremamente prazerosos e repletos de mimos com a simpatia e a acolhenda
maravilhosa do pessoal da fazenda.

Informações sobre cursos, palestras e degustações de café e de vinhos. [email protected]

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